O teatro, como a peste, é uma crise que se resolve pela morte ou
pela cura. E a peste é um mal superior porque é uma crise completa após a
qual resta apenas a morte ou uma extrema purificação. Também o teatro é
um mal porque é o equilíbrio supremo que não se adquire sem destruição.
Ele convida o espírito a um delírio que exalta suas energias; e para
terminar pode-se observar que, do ponto de vista humano, a ação
do teatro, como a da peste, é benfazeja pois, levando os homens a se
verem como são, faz cair a máscara, põe a descoberto a mentira, a
tibieza, a baixeza, o engodo; sacode a inércia asfixiante da matéria que
atinge até os dados mais claros dos sentidos; e, revelando
para coletividades o poder obscuro delas, sua força oculta, convida-as a
assumir diante do destino uma atitude heroica e superior que, sem isso,
nunca assumiriam.

a inércia asfixiante da matéria...
ResponderExcluirvc tem uma sintonia com o estilo de escrita dele. Vai fundo. Beijo