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setembro 29, 2018

Sobre a imposição às mulheres

Que nenhuma pessoa imponha como devo sentir, me comportar e ser.
Que recuse toda e qualquer submissão de caráter em direção ao proveito ou satisfação alheia.
Que recuse, reaja, rejeite e combata qualquer ameaça de moralidade, destinação de conduta real, espiritual, ou de qualquer ordem.
Que manifestações opressivas sobre a feminilidade, seus ciclos e a natureza feminina pra docilizar, obedecer, e amansar sejam destruídas.
Nenhum comportamento seja explícito, ou oculto, de se tentar domar uma natureza selvagem, lasciva, intuitiva, e exuberante, deve ser tolerado ou sequer considerado.

Tentativas de se tolher a natureza feminina selvagem foi há séculos, e ainda hoje violências, mas com a grande diferença atual da reação, natural à investida de domesticação e adequação às instituições do patriarcado, sejam leis instituídas, sejam de oralidade aceita e imposta. De amordaçar, de subjugar, minimizar, humilhar, desacreditar: serão rechaçadas.

Nenhum muro mais. Nenhum impedimento a ser o que se é. Nenhum controle que não seja superado por sua resistência e de contra-controle natural.

setembro 17, 2018

Pagu song

Ela caminha por esse mundo
 como se esse mundo fosse dela.
Como se o mundo (todo ele) fosse antigo e conhecido.
 É caminhar dissonante,
caminha errante
vê e sente a natureza como parte sua
pode ser cruel e acolhedora,
dúbia, sincrônica, alheia.
Tem olhos grandes,
como grande é a alma
e se assusta, por isso morde,
 com as barreiras normais,
as barreiras sociais, a mesquinhez
 a improbabilidade de viver entre os seus.
É dar cada passo, farejando os estados.
Retalhos.
Reconhecendo.
Pode estar nesse mundo agora
tão verdadeira é a força de sua vontade
volição
coração
está vestindo agora as roupas humanas
como se sempre fosse humana.
Como se sempre fizesse parte dessa constituição
 não há dúvidas
 Ela se veste bem, quase passa por humana.
Num instante, e em outros
agarrou outra vibração, avatar mal carcomido
se transformou
Agora, quem ela é:
Eu não ouso dizer
Não reconheço sua pele
seu olhar mudou
Como mudou seu farejar o mundo
Ela agora é outro ser, pele molhada cheia de dores
irreconhecível.
Caminhava, como se soubéssemos, desde sempre
as pistas, as pegadas, o faro, a pele,
mas tudo mudou.
Ela é só mais  uma, caminhante,
com seus quereres, que antes não rimavam
e agora menos ainda.




setembro 01, 2018

Travessuras por gostosuras

Egon Schiele - two lesbians 
Troco minha sanidade :

quero uivo, o sibilar das serpentes
a rasteira feroz doce árida
contorcionismo
troco desejos banais por viadagens instáveis
faço o que eu quiser
doçuras por gostosuras
não tenho nome
endereço
caminhei pra me perder da minha história
Conto outras histórias
Sou outro, e não me reconheço
ampliei, desdenhei, vou roer suas dúvidas
mastigar as necessidades
arranhar seu orgulho puído
alimento sua ânsia de entender
adoro olhar pra inconcretude
[quero teu cérebro]
repercussões das trevas gostosas
um prazer essas putarias
oh, mas com outros nomes...
mais cabíveis. Mais normativas
mais outros...
 Não sou tão má, só queria devorar o asco, a misoginia
e se sobrasse algo mais
era bônus, muito real, muito comível.

Você entrou nos meus sonhos, exigindo criações reais.
exigindo amor em pedaços concebíveis.....
E isso, é inadmissível.
Gostou,

Gostosa, e ser um câncer.
Que tal eu ser seu ego auxilar
e as coisas não ditas, direi aqui
quero dizer lindamente, soberbamente,
posso criar a maior honra, e meu maior crime
todos juntos {juro}
se assemelham.


Ao fim, todos e tudo, ruídos queridos, tem o mesmo nome:
 De fato, quando comecei, já sabia o fim.
Outras coisas complemen_ares.