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setembro 17, 2018

Pagu song

Ela caminha por esse mundo
 como se esse mundo fosse dela.
Como se o mundo (todo ele) fosse antigo e conhecido.
 É caminhar dissonante,
caminha errante
vê e sente a natureza como parte sua
pode ser cruel e acolhedora,
dúbia, sincrônica, alheia.
Tem olhos grandes,
como grande é a alma
e se assusta, por isso morde,
 com as barreiras normais,
as barreiras sociais, a mesquinhez
 a improbabilidade de viver entre os seus.
É dar cada passo, farejando os estados.
Retalhos.
Reconhecendo.
Pode estar nesse mundo agora
tão verdadeira é a força de sua vontade
volição
coração
está vestindo agora as roupas humanas
como se sempre fosse humana.
Como se sempre fizesse parte dessa constituição
 não há dúvidas
 Ela se veste bem, quase passa por humana.
Num instante, e em outros
agarrou outra vibração, avatar mal carcomido
se transformou
Agora, quem ela é:
Eu não ouso dizer
Não reconheço sua pele
seu olhar mudou
Como mudou seu farejar o mundo
Ela agora é outro ser, pele molhada cheia de dores
irreconhecível.
Caminhava, como se soubéssemos, desde sempre
as pistas, as pegadas, o faro, a pele,
mas tudo mudou.
Ela é só mais  uma, caminhante,
com seus quereres, que antes não rimavam
e agora menos ainda.




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