Para Zaia¹, "quando Carl Sagan disse esta frase*, muito provavelmente quis dizer, entre outras coisas, que viemos das estrelas, pois os átomos dos quais somos feitos são sintetizados em estrelas ou explosões de supernovas". Isso quer dizer que há uma possibilidade, de uma mão direita ter vindo de uma constelação, e sua mão esquerda, de outra. A memória de nossa constituição física, brilha, reluz e explode.
Mas o fato é que, uma dessas ¨outras coisas¨, citadas por Zaia, diz respeito ao potencial da ciência em investigar temas complexos, como nossa própria origem. Ou seja, podemos explicar a origem do universo, dos astros e da nossa própria vida, utilizando o método científico, por meio de experimentos, hipóteses, e observação".
* "Somos todos feitos da mesma poeira de estrelas".
¹Retirado de um periódico.
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setembro 25, 2013
Carl Sagan
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Feito Estrelas
Era tão bom pensar como antes. Em que não seria preciso
ciências, nenhuma forma de estabelecer a ordem. Que poética seria a forma de
eternizar as estrelas em nós.
Nem as borboletas que vivem uma semana, todo aquele esforço
de sair do casulo. Viver brevemente, efêmera, como tudo. É preciso passar por
toda uma existência pra entender.
O óbvio parece simples, mas não é. Engano, exige uma meditação profunda, extrema interiorização e o assombro da resposta, distancia ainda mais a compreensão. Absurda é a vida, e quem acha que porque dá significados à ela, pensando em torná-la palatável, pegando o atalho, facilitando os sentidos...
O óbvio parece simples, mas não é. Engano, exige uma meditação profunda, extrema interiorização e o assombro da resposta, distancia ainda mais a compreensão. Absurda é a vida, e quem acha que porque dá significados à ela, pensando em torná-la palatável, pegando o atalho, facilitando os sentidos...
Entorpecimento da razão.
Minha vó faz cem anos. Um inseto chamado aleluia, vive
24horas. Um dia só, e ele grita aleluia. Tem bicho que precisa ter esse nome
pra dizer que existiu, senão ninguém saberia. Bicho estranho. Enquanto minha
vó, outro bicho estranho, não lembra quem eu sou, e nem quem ela é. E a gente
vive assim mesmo, sem saber. Saber também não ajudaria a viver mais, ou melhor.
Nem as estrelas são infinitas. Nem nós.
Antes.
setembro 24, 2013
Antídoto Afrodisíaco
O prazer tem princípio no neocórtex central, depois
atravessa as paredes do cerebelo, as glândulas pituitárias apitam, gemendo e
evoluindo nosso sistema de recompensa! Uma densidade fabulosa na substância
cinzenta se espalha feito vírus benéfico de Eros na corrente sanguínea,
atingindo um clímax mirabolante dentro da célula.
Mas como burlar os obstáculos da moral cristã enfadonha?
Bulindo com a exuberância do puro Id, atrevido e devasso, que ultrapassa as fronteiras morais puritanas, rumo à glória libertina e
libertadora,
oh, doce perversão.
oh, doce perversão.
Para uma castidade ingloriosa e repressora,
só o antídoto do Id em seu luxuriante despudor,
só o antídoto do Id em seu luxuriante despudor,
o princípio do prazer é, em si, o seu próprio
fim.
Fim e começo das comichões de regozijo dos neurônios, em
polvorosa.
Até o núcleo da célula mais vulgarzinha: estremecimento!
Todo o corpo sapiens sapiens cintila à prazer.
Todo o corpo sapiens sapiens cintila à prazer.
Ah! O DNA humano quando goza de si mesmo, é divino.
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setembro 17, 2013
Eco e Reencontro
E quando a gente passa muito tempo, falando consigo mesmo, achando-se
louco, enlouquecendo-se, não porque queira realmente. Mais porque
não encontra ouvidos sensíveis nessa escuta, em que falamos e as
respostas são todas dissonantes do que dizemos, respostas que não
interpretaram nossa voz interior, nossa palavra se perde em ecos
solitários, ouvidos pouco receptivos. Quando há afinação na escuta, há reencontro, há transmissão sentida, reinventada dentro do outro. A perspectiva dos múltiplos reencontrados.
Devo lembrar-me do Christopher McCandless, sozinho na Natureza Selvagem, antes de morrer, reflete sua condição, "felicidade só é verdadeira quando compartilhada".
Devo lembrar-me do Christopher McCandless, sozinho na Natureza Selvagem, antes de morrer, reflete sua condição, "felicidade só é verdadeira quando compartilhada".
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setembro 16, 2013
Divino maravilhoso.
"Sem
dúvida, o álcool, o tabaco e similares são coisa que um santo deve
evitar – mas a santidade é, por sua vez, uma coisa que os seres humanos
devem evitar."Parodiando humanos abstêmios, assim falou Bukowski.
Confesso que, de todos os panteões, eu só poderia idolatrar aquelas deidades que tem alma beatnick.
Parafraseando frau Schade.
setembro 15, 2013
Prognose
Gozo do Verbo
O gozo dos psicanalistas
é o gozo do verbo
é egoico, é egoísta.
O psicanalista não quer concluir,
a conclusão deve ser evitada, e
seu gozar está intimo do retorno à origem.
A fala (ou o falo) primordial: é o gozo do verbo que é infinito!
Se alguma ínfima pista nos conduzir ao derradeiro fim do discurso,
(um fim da análise)
uma possível resolução do problema, o gozo é interrompido.
Melancolia e tristeza extensionada ao corte do discurso:
se o verbo não diz,
o analista dirá: "Não gozarás!"
O analista só é ser gozante quando ejacula
as reminiscências nas palavras (verborrágico é o outro)
O seu horizonte existencial é o vazio de subsistência, sua angústia autoreguladora
e seu gozo múltiplo.
Silmultâneo ao discurso, regulador e gozador, o analista gozará orgasmicamente
com a falta que o preenche.
De vazio em vazio, saltando as ausências, e por sobre os desejos reprimidos,
gozará o psicanalista deste tortuoso humor...?
gozará o psicanalista deste tortuoso humor...?
Eu tentei, mas não consegui reprimir. Gozei.
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setembro 13, 2013
A Sagração da Primavera
Nunca
pensei a primavera num modo de brutalidade. E nunca gostei tanto de ver
isso em dança de corpos se chocando, se unindo, cada momento fugaz de
lirismo é sobrepujado de dor, de agressividade, de uma força em
conjunto. Num balé de forças entre os corpos, a Sagração da Primavera é
luta, vigor, e sobrevivência. É embate entre anima e animus, yin e yang,
pra uma completude do ser... ora pra seduzir, ora pra se unir em
contraposição à outrem. Ânsia, instinto primordial, os corpos avançam em
formações obtusas contra tudo que é frágil. A beleza está justamente em
abandonar as sincronias esparsas, para dar lugar a blocos corporais que
se estendem horizontalmente, simulando a geografia da terra em seus
movimentos - ora fluidos, ora repentinos. Sempre pungentes. A luta é a
beleza dos que dançam pra nascer, e manter-se vivo.
"A Sagração da Primavera tem subtítulo “Cenários da Rússia Pagã”. O balé retrata os festivais e rituais de uma sociedade antiga que celebra a chegada da primavera. As cerimônias culminam com o sacrifício da Escolhida, uma jovem que deve dançar até a morte.
A Primeira Parte retrata a adoração da comunidade à Terra. Inclui rituais de augúrios (adivinhação) por jovens meninas, uma dança de rapto simulada durante a qual os homens fazem de conta que roubam as garotas, uma dança de roda, além de disputas entre os clãs rivais. Então o Sábio Ancião chega numa procissão. Ele oferece um ritual de culto à Terra. A primeira Parte culmina com a Dança da Terra (onde os primeiros esboços de Stravinsky se referem ao “esgotamento da Terra pela dança”)
A Segunda Parte concentra-se em torno do sacrifício. Começa com uma misteriosa dança de roda realizada pelas garotas. A Escolhida é glorificada por todos os presentes. Depois os anciãos são intimados a realizar um ritual. Destrambelhada, a Escolhida inicia uma dança selvagem e orgíaca. Quando sua força se acaba, ela é reanimada por uma força inominável. Por fim, completamente exausta, a Escolhida cai morta ao chão".
A Sagração da Primavera, composição indômita de Stravinsky, encenada a primeira vez em 29 de maio de 1913, e coreografia pelo não menos iconoclasta Nijinski, completa 100 anos.
"A Sagração da Primavera tem subtítulo “Cenários da Rússia Pagã”. O balé retrata os festivais e rituais de uma sociedade antiga que celebra a chegada da primavera. As cerimônias culminam com o sacrifício da Escolhida, uma jovem que deve dançar até a morte.
A Primeira Parte retrata a adoração da comunidade à Terra. Inclui rituais de augúrios (adivinhação) por jovens meninas, uma dança de rapto simulada durante a qual os homens fazem de conta que roubam as garotas, uma dança de roda, além de disputas entre os clãs rivais. Então o Sábio Ancião chega numa procissão. Ele oferece um ritual de culto à Terra. A primeira Parte culmina com a Dança da Terra (onde os primeiros esboços de Stravinsky se referem ao “esgotamento da Terra pela dança”)
A Segunda Parte concentra-se em torno do sacrifício. Começa com uma misteriosa dança de roda realizada pelas garotas. A Escolhida é glorificada por todos os presentes. Depois os anciãos são intimados a realizar um ritual. Destrambelhada, a Escolhida inicia uma dança selvagem e orgíaca. Quando sua força se acaba, ela é reanimada por uma força inominável. Por fim, completamente exausta, a Escolhida cai morta ao chão".
A Sagração da Primavera, composição indômita de Stravinsky, encenada a primeira vez em 29 de maio de 1913, e coreografia pelo não menos iconoclasta Nijinski, completa 100 anos.
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| Cena da Sagração da Primavera, obra de Stravisky, escândalo em 1913, coreografia e dança primitiva - Nijisky. |
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setembro 12, 2013
Bowie
Imaginary Man
How do i to follow your footsteps?
Insisting a desire cruel
a beautiful freak like you.
an ideal of beauty.
An example to be unique.
'It's the angel-man'
How feel transported
wicked.
Lonely, in the increasingly distant
I might be in the dirt,
but would like a king.
(Ele usava unhas negras e brilhantes, caminhava
pavoneando de salto plataforma, os olhos maliciosos.
Oh, I start to believe...)
setembro 09, 2013
Intermezzo
Você ousa ficar fora?você ousa entrar?
Quanto pode perder?
quanto pode ganhar?
E se entrar, deve virar à direita
ou à esquerda?
Vai ficar tão confuso que vai querer correr.
Em estradas curvas e longas
em passo rápido.
Lugares estranhos e inóspitos. Em direção, temo eu,
ao lugar mais inútil: o lugar de esperar.
Esperando um trem partir, ou um ônibus chegar.
Um avião pousar, ou a correspondência entrar.
A chuva parar ou o telefone tocar.
Um sim ou um não.
Outra chance.
setembro 08, 2013
O Renascimento do Parto
Parir, prenhe, dar à luz... Nomes diversos para significados diversos também.
Um dos momentos mais bonitos na vida das
mulheres, o parto está nas decisões dos médicos e anestesistas, quando
na verdade deve estar principalmente na decisão da família. Um documento
tocante da mercantilização das cesarianas no Brasil.
O trabalho da médica obstetra deveria ser o de facilitar o nascimento, e não, o de agendamento, cronograma de partos para a semana. Da lucratividade do hospital, que ganha com os diversos procedimentos médicos. É isso que o documentário insiste em denunciar: os partos deixaram de ser naturais para tornarem-se procedimentos médicos, desnecessários, invasivos, dolorosos...
E que distanciam as mães dos bebês, que lhes retira a afetividade do momento. Se diz para a mãe, que ela não tem dilatação, que está muito gorda, ou muito magra, sedentária, que jovem demais, velha, ou.. qualquer coisa para que a mãe tenha medo e desista de fazer o parto normal. Muitos são os médicos que só o fazem se for cesário, e qual a mãe que no oitavo mês de gestação vai querer arriscar contrariar um médico? Aliás, é isso que fazem: dizer de todas as maneiras, que as mulheres não tem capacidade para dar à luz sem eles. Que são incompetentes pra parir.
E que distanciam as mães dos bebês, que lhes retira a afetividade do momento. Se diz para a mãe, que ela não tem dilatação, que está muito gorda, ou muito magra, sedentária, que jovem demais, velha, ou.. qualquer coisa para que a mãe tenha medo e desista de fazer o parto normal. Muitos são os médicos que só o fazem se for cesário, e qual a mãe que no oitavo mês de gestação vai querer arriscar contrariar um médico? Aliás, é isso que fazem: dizer de todas as maneiras, que as mulheres não tem capacidade para dar à luz sem eles. Que são incompetentes pra parir.
As cenas em que o bebê é pego como um objeto, afastado da mãe, colocado numa bandeja metálica, "higienizado", enrolado, etc. Só consigo pensar mesmo num esquema de linha de produção, operacionalização de montagem; corta, retira, costura, limpa, enrola, põe na bandeja... A brutalidade e indiferença da lógica de mercado.
Não consegui enxergar ali o nascimento de um ser humano. A mãe, dopada pela anestesia, participar da geração da vida, de que ela é capaz. Uma etapa belíssima da vida de uma mulher e do casal, de ver isso acontecer com carinho, riqueza de sentimentos. Muito, muito importante o suporte emocional do trabalho das doulas no antes, durante e pós parto. Me lembrou o antigo trabalho das parteiras, que eram reconhecidas e as primeiras a, juntamente com a mãe, realizarem o nascimento, em suas residências. Imagens de encher os olhos; calor, suporte, doação.
Nós temos rituais de casamento de plástico, uma preparação de meses, em muitas vezes sem significado, esvaziadas de sentimento, falsos rituais. Uma ostentação, pra em seguida terminar com brevidade.
A passagem de uma fase para outra, de concluir uma etapa da vida, a celebração da própria vida, é substituída por uma sucessão de festas, de embotamentos afetivos a vazios de existência. Pra que seguimos com essa vida, sem repensar como vamos vivendo...?
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Molduras
Barro é a miscelânea de terra que nos forma,
que une a massa é o desejo do que pode vir a ser;
jarros, cabaça, moringas.
Realizava num molde de desassossego,
um ser que tendia a querer o improvável
pisava nos acertos como quem diz
a aprendizagem está no lapso. Imperfeito.
E nelas inverteu as virtudes.
Dissimulou as vontades,
Vadeava as deixas
Corrigia prudências
Sacralizava vícios normais.
Quem era este, o brincante das palavras.
Realizava num molde de desassossego,
um ser que tendia a querer o improvável
pisava nos acertos como quem diz
a aprendizagem está no lapso. Imperfeito.
E nelas inverteu as virtudes.
Dissimulou as vontades,
Vadeava as deixas
Corrigia prudências
Sacralizava vícios normais.
Quem era este, o brincante das palavras.
Desfabularizava.
Oleiro é um burlesco dos moldes.
Oleiro é um burlesco dos moldes.
Subversiva
Sussurravae não sei se o sussurro era alto,
era um ruído entre o abafado e o
tropeço da fala.
E entre um e outro
saía alguma coisa próxima do abraço
Se era carinho proposital
se era afeto incidental
Se ela só disse pela metade
o que antes era um aviso, alerta
de tormenta, atropelo, engasgo
e o que ficou era
fiapo de, um escorrego
e como antes
improvisou.
Deixou escapar.
setembro 03, 2013
Sonho
Numa tribo ou comunidade indígena, eu e mais outro tínhamos um papel a desempenhar: recolher animais mortos,
entranhas e partes destes, e por numa gruta, um local subterrâneo, na boca de um "sapo" enorme e disforme; ser que parecia ruminar esses restos e transformá-los num tipo de adubo, que reciclava-os para voltarem de outra forma à Natureza.
Nós passávamos por algumas provas (provações), antes,
uma escalada não tão alta por uma parede vazada como rede em pedra, com água embaixo. Passei por essa prova e vi quem não conseguiu ficar atrás de mim. Pensei por um momento em ajudar, mas depois desisti e me concentrei em terminar a minha própria.
No momento de entrar na mata, e buscar os restos de animais, eu senti a profundidade da tarefa, e o sentido sagrado dela pra mim mesma, e pra o grupo. Mas nas duas tentativas não concluí. A primeira vez, a lembrança falha (tive outro sonho anterior, e mais vago), é turva, e creio que perdi-me em processos meus que tomaram tempo demais, e sem relação com a tarefa, me desviando do propósito original.
Na segunda e última tentativa, busquei focar no objetivo, e até guardei a imagem de um lagarto coberto de musgo, de olhos vidrados, inteiramente verde e macio, que pus no compartimento da roupa pra isso, e uma cobra gigante morta, mas que tinha nela algo ainda vivo e que mexia, cortei a cabeça e parte do interior entranhado, e ainda um outro animal que não recordo, e que pendurei no pescoço/ ombro. Mas lembro que queria levar uma grande quantidade, e abarrotar-me, isso fez com que não percebesse a noção do tempo passar outra vez, para uma vaidade pessoal, e com o tempo, a finalização da tarefa.
---
Sonho, logo, interpreto.
Interpretei e guardei.
Encantamento e a Magia¹
É a revelação de um todo antes desconhecido, e que se mostra no momento em que a pessoa está pronta para ver. Ver e assimilar os significados pra si.
A descoberta pode vir num objeto banal aos olhos comuns, se estiverem no hábito. Ou, pode vir numa reação de perplexidade ao encontrar numa frase aleatória, na rua, num escritório, numa música, sonho, etc, uma revelação súbita, fulminante.
Coincidências muitas num momento, como que se você não a percebe logo, ocorre outra, referente ao mesmo conteúdo ignorado antes.
Sinalizando que se deve atentar pra aquilo, para se ver.
Não é a razão que comanda isso, mas a que interpreta; a emoção e os sentimentos, acompanham e dão medida de significar o que os sentidos percebem. Revela-se como uma epifania.
A Magia acontece após tudo isso, quando, tudo mais encaixado e organizado, você pode finalmente entender que esse algo significativo ocorreu, e suas perspectivas mudaram um pouco. Magia é esse entendimento num nível mais organizado, consciente, e inter-relacionado.
¹Partes de observações que escrevi entre 2011/2012.
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Magia no cotidiano
setembro 01, 2013
Clarice em flor
Hoje eu senti saudade imensa de Clarice, e lembrei do que li num conto dela, que pequena, roubou rosas(e pitangas) no vizinho, em Recife.Imagino essa menina colhendo e guardando esse pequeno delito como uma preciosidade. E eu, com oito anos, roubei um livro da escola, A mulher que matou os peixes. Seria bom pensar numa comunhão de desejos...
“Rosa é a flor feminina que se dá toda e tanto, que para ela só resta a alegria de se ter dado. Seu perfume é mistério doido. Quando profundamente aspirada toca no fundo íntimo do coração e deixa o interior do corpo inteiro perfumado. O modo de ela se abrir em mulher é belíssimo. As pétalas tem gosto bom na boca - é só experimentar. Mas rosa não é it. É ela. As encarnadas são de grande sensualidade. As brancas são a paz de Deus. É muito raro encontrar na casa de flores rosas brancas. As amarelas são de um alarma alegre. As cor-de-rosa são em geral mais carnudas e têm a cor por excelência. As alaranjadas são produto de enxerto e são sexualmente atraentes.
A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia. Não é. Esconde-se para poder captar o próprio segredo. Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque. Não grita nunca o seu perfume. Violeta diz levezas que não se pode dizer.”
Água Viva, romance.
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