Nunca
pensei a primavera num modo de brutalidade. E nunca gostei tanto de ver
isso em dança de corpos se chocando, se unindo, cada momento fugaz de
lirismo é sobrepujado de dor, de agressividade, de uma força em
conjunto. Num balé de forças entre os corpos, a Sagração da Primavera é
luta, vigor, e sobrevivência. É embate entre anima e animus, yin e yang,
pra uma completude do ser... ora pra seduzir, ora pra se unir em
contraposição à outrem. Ânsia, instinto primordial, os corpos avançam em
formações obtusas contra tudo que é frágil. A beleza está justamente em
abandonar as sincronias esparsas, para dar lugar a blocos corporais que
se estendem horizontalmente, simulando a geografia da terra em seus
movimentos - ora fluidos, ora repentinos. Sempre pungentes. A luta é a
beleza dos que dançam pra nascer, e manter-se vivo.
"A Sagração da Primavera tem subtítulo “Cenários da Rússia Pagã”. O balé retrata os festivais e rituais de uma sociedade antiga que celebra a chegada da primavera. As cerimônias culminam com o sacrifício da Escolhida, uma jovem que deve dançar até a morte.
A Primeira Parte retrata a adoração da comunidade à Terra. Inclui rituais de augúrios (adivinhação) por jovens meninas, uma dança de rapto simulada durante a qual os homens fazem de conta que roubam as garotas, uma dança de roda, além de disputas entre os clãs rivais. Então o Sábio Ancião chega numa procissão. Ele oferece um ritual de culto à Terra. A primeira Parte culmina com a Dança da Terra (onde os primeiros esboços de Stravinsky se referem ao “esgotamento da Terra pela dança”)
A Segunda Parte concentra-se em torno do sacrifício. Começa com uma misteriosa dança de roda realizada pelas garotas. A Escolhida é glorificada por todos os presentes. Depois os anciãos são intimados a realizar um ritual. Destrambelhada, a Escolhida inicia uma dança selvagem e orgíaca. Quando sua força se acaba, ela é reanimada por uma força inominável. Por fim, completamente exausta, a Escolhida cai morta ao chão".
A Sagração da Primavera, composição indômita de Stravinsky, encenada a primeira vez em 29 de maio de 1913, e coreografia pelo não menos iconoclasta Nijinski, completa 100 anos.
"A Sagração da Primavera tem subtítulo “Cenários da Rússia Pagã”. O balé retrata os festivais e rituais de uma sociedade antiga que celebra a chegada da primavera. As cerimônias culminam com o sacrifício da Escolhida, uma jovem que deve dançar até a morte.
A Primeira Parte retrata a adoração da comunidade à Terra. Inclui rituais de augúrios (adivinhação) por jovens meninas, uma dança de rapto simulada durante a qual os homens fazem de conta que roubam as garotas, uma dança de roda, além de disputas entre os clãs rivais. Então o Sábio Ancião chega numa procissão. Ele oferece um ritual de culto à Terra. A primeira Parte culmina com a Dança da Terra (onde os primeiros esboços de Stravinsky se referem ao “esgotamento da Terra pela dança”)
A Segunda Parte concentra-se em torno do sacrifício. Começa com uma misteriosa dança de roda realizada pelas garotas. A Escolhida é glorificada por todos os presentes. Depois os anciãos são intimados a realizar um ritual. Destrambelhada, a Escolhida inicia uma dança selvagem e orgíaca. Quando sua força se acaba, ela é reanimada por uma força inominável. Por fim, completamente exausta, a Escolhida cai morta ao chão".
A Sagração da Primavera, composição indômita de Stravinsky, encenada a primeira vez em 29 de maio de 1913, e coreografia pelo não menos iconoclasta Nijinski, completa 100 anos.
![]() |
| Cena da Sagração da Primavera, obra de Stravisky, escândalo em 1913, coreografia e dança primitiva - Nijisky. |

Uma das minhas obras orquestrais preferidas. Irreverente. Pulsante. Cheia de vida - como só as coisas pagãs conseguem ser. E ainda com 10 tímpanos!
ResponderExcluirEschade.