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setembro 01, 2013

Clarice em flor

Hoje eu senti saudade imensa de Clarice, e lembrei do que li num conto dela, que pequena, roubou rosas(e pitangas) no vizinho, em Recife.
Imagino essa menina colhendo e guardando esse pequeno delito como uma preciosidade. E eu, com oito anos, roubei um livro da escola, A mulher que matou os peixes.  Seria bom pensar numa comunhão de desejos...

“Rosa é a flor feminina que se dá toda e tanto, que para ela só resta a alegria de se ter dado. Seu perfume é mistério doido. Quando profundamente aspirada toca no fundo íntimo do coração e deixa o interior do corpo inteiro perfumado. O modo de ela se abrir em mulher é belíssimo. As pétalas tem gosto bom na boca - é só experimentar. Mas rosa não é it. É ela. As encarnadas são de grande sensualidade. As brancas são a paz de Deus. É muito raro encontrar na casa de flores rosas brancas. As amarelas são de um alarma alegre. As cor-de-rosa são em geral mais carnudas e têm a cor por excelência. As alaranjadas são produto de enxerto e são sexualmente atraentes.

A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia. Não é. Esconde-se para poder captar o próprio segredo. Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque. Não grita nunca o seu perfume. Violeta diz levezas que não se pode dizer.”

Água Viva, romance.


9 comentários:

  1. Ai, mergulhei em minhas lembranças. Da época em que pulava o muro do vizinho pra roubar manga verde. Fazia isso em ''quadrilha"'. Colegas, amigos que de certa forma percebiam o sentir-se prazer nessa comunhão de desejos...em que pular o muro, arrancar as mangas com uma vara cheias de espinhos perfurantes, correr/saltar a cerca movidos pelo medo de sermos surpreendidos é que nos enchia de graça ...é que no fundo o que buscávamos não era o sabor adstringente da manga, azeda regada de sal e pimenta, mas, o prazer doce, quase que melado, da aventura. Que bom sentir em suas palavras algumas das minhas marcantes recordações de infância. Que ainda vive. E ressurge aqui, agora...

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  2. A poesia, tem ela mesma um segredo. Ninguém percebeu ainda...

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  3. As mil e uma "facetas" em que desabrocham o feminino?

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  4. Rosa, violeta, amarela, branca...dos sabores que experimentamos quando estamos juntas!

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  5. Sim, é isso. Quando Clarice diz “mas rosa não é it. É ela” está ali a metáfora da flor-mulher, simbolizada nos tipos, cores de rosas. É de um erotismo sutil e afrodisíaco quando ela experimenta as cores, os cheiros, a texturas... O sabor do sexo feminino, a volúpia da sexualidade contida nas flores. A violeta tem a particularidade de falar de seu sexo mais sussurrante... Uma bela maneira de contar seus Mistérios.

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  6. imaginei as cores como os tons dos mamilos ou dos lábios

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