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outubro 31, 2013
Todas as Vertigens
outubro 29, 2013
Uma canção para Lou
Pensando na poesia, na violência, nos becos cheios de histórias sórdidas e deliciosas, Os desejos. E os desejos não realizados, os desejos supra estimados.
Os amores não correspondidos, e as pessoas bizarras que andam por aí
à noite, e de dia, com suas idiossincrasias, suas assimetrias, e brilho (cintilante!)
Quem são essas pessoas que Lou conheceu, que Andy Warhol punha na galeria Factory...
E as canções, essas composições, que nos fazem chorar, que nos fazem vibrar, que transportam pra algum outro lugar.. Lugar ligeiro, nessa batida como veia coronária: beat little heart, beat..!
Outros lugares, outros longe, outros perto, 'B' - side, o lado selvagem, animado com o burburinho
depois da happy hour.
E todas essas memórias de canções pop que viajam no tempo com a gente, grudam feito bubble gum,
e me fazem lembrar dele. Me fazem lembrar dele. Sempre me fazem lembrar dele.
Os amores não correspondidos, e as pessoas bizarras que andam por aí
à noite, e de dia, com suas idiossincrasias, suas assimetrias, e brilho (cintilante!)
Quem são essas pessoas que Lou conheceu, que Andy Warhol punha na galeria Factory...
E as canções, essas composições, que nos fazem chorar, que nos fazem vibrar, que transportam pra algum outro lugar.. Lugar ligeiro, nessa batida como veia coronária: beat little heart, beat..!
Outros lugares, outros longe, outros perto, 'B' - side, o lado selvagem, animado com o burburinho
depois da happy hour.
E todas essas memórias de canções pop que viajam no tempo com a gente, grudam feito bubble gum,
e me fazem lembrar dele. Me fazem lembrar dele. Sempre me fazem lembrar dele.
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Escuta
(...) parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar
mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para
sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a
opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo
da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os
ouvidos, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do
encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço. (BONDÍA,
2001, p.24)
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outubro 24, 2013
Mini-amor
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Lady Barrett Jones
outubro 23, 2013
Dear friends.,
Ashes and Snow
¨I think of my life’s work as a celebration of all of nature, an
orchestra that plays not the sounds of one musician, the music of one
species, but rather an expression of all of nature’s songs¨.
- Gregory Colbert work -
- Gregory Colbert work -
outubro 21, 2013
Intrapele - Extramuros
Como é possível existir somente dentro da limitação do intrapele?
Uma capacidade tão imensa aprisionada num espaço tão pequeno, apertado. É um lugar exíguo par existir.
Inóspita e rudimentar existência que nos possui, e que não possuímos.
Como tentar fazer caber, numa caixa quadrada, a circunferência de outros planos. Oblíquos.
Talvez seja possível escapar, se escorregássemos furtivos pelos poros. Porificadamente Escapista.
Ou ainda, seja pela íris, onde dizem caber as galáxias. A Via Láctea da Alma. Leited'álma.
Pelos fios de cabelo, ondulam estranhas passagens secretas, onde se enganam a razão. Sábios são.
Amores vãos. Enganação. A encenação da fuga!
A desrazão é mais provável, pra se fazer entender, que pelos caminhos já pisados, e desgastados.
De tudo seremos capazes, pra derrubar essas fronteiras, os campos são muitos, como muitos somos aqui.
Uma capacidade tão imensa aprisionada num espaço tão pequeno, apertado. É um lugar exíguo par existir.
Inóspita e rudimentar existência que nos possui, e que não possuímos.
Como tentar fazer caber, numa caixa quadrada, a circunferência de outros planos. Oblíquos.
Talvez seja possível escapar, se escorregássemos furtivos pelos poros. Porificadamente Escapista.
Ou ainda, seja pela íris, onde dizem caber as galáxias. A Via Láctea da Alma. Leited'álma.
Pelos fios de cabelo, ondulam estranhas passagens secretas, onde se enganam a razão. Sábios são.
Amores vãos. Enganação. A encenação da fuga!
A desrazão é mais provável, pra se fazer entender, que pelos caminhos já pisados, e desgastados.
De tudo seremos capazes, pra derrubar essas fronteiras, os campos são muitos, como muitos somos aqui.
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| Sarolta Bán |
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Come as you are
De uma batida, pulsante, um espaço
intermitência,
é insistência
e essa inquietação
eu conheço muito bem.
Quem não ousa traduzir seu nome
Porque não há nomes o bastante
e se houvessem, mesmo,
seriam impronunciáveis.
A única chance, é seguir instintos inomináveis.
Sim, gostaria de poder acalmar fúrias internas
mas estas, são as fagulhas que pulsam,
lampejo da essência reverberante.
E mesmo no caos, há lógica.
Compreensão, apreensão
só não há calma, é na calmaria pra alma.
Implicâncias, justificâncias... insignificâncias
Eu vou doer como você.
Como ela dói. Vim pra doer.
Se tormentas acontecem, porque tem de acontecer
que efeito placebo, inócuo seria o apaziguamento.
O tempo limítrofe entre o entendimento e a absurdez
Não me faltam caminhos, há de sobra, o que falta é o equilíbrio de não tropeçar.
*Gregory Colbert photo
intermitência,
é insistência
e essa inquietação
eu conheço muito bem.
Quem não ousa traduzir seu nome
Porque não há nomes o bastante
e se houvessem, mesmo,
seriam impronunciáveis.
A única chance, é seguir instintos inomináveis.
Sim, gostaria de poder acalmar fúrias internas
mas estas, são as fagulhas que pulsam,
lampejo da essência reverberante.
E mesmo no caos, há lógica.
Compreensão, apreensão
só não há calma, é na calmaria pra alma.
Implicâncias, justificâncias... insignificâncias
Eu vou doer como você.
Como ela dói. Vim pra doer.
Se tormentas acontecem, porque tem de acontecer
que efeito placebo, inócuo seria o apaziguamento.
O tempo limítrofe entre o entendimento e a absurdez
Não me faltam caminhos, há de sobra, o que falta é o equilíbrio de não tropeçar.
Interromper tentativas.
Todas elas tropeços,
todas elas corretas,
todas,
traduções de quem somos.
*Gregory Colbert photo
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outubro 18, 2013
Terráqueos
Earthlings (Terráqueos, em português) é um documentário estadunidense de 2005, escrito, produzido e dirigido por Shaun Monson e co-produzido por Persia White.
É narrado pelo ator e ativista dos direitos animais Joaquin Phoenix, que também é vegano e membro da PETA, maior organização de defesa dos direitos animais do mundo. A trilha sonora foi composta exclusivamente para o documentário pelo músico Moby.
Sinopse
O filme mostra como funcionam as fazendas industriais e relata a dependência da humanidade sobre os animais para obter alimentação, vestuário e diversão, além do uso em experimentos científicos. Compara o Especismo da espécie humana com outras relações de dominação, como o racismo e o sexismo.Fonte; Wikipédia.
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outubro 16, 2013
Luh - Mium
É possível que eu seja atraída pelo fogo, e o que ele
significa, pela mesma razão que as mariposas são. Porque o fogo dança, e dele
se desprende um calor e brilho irresistíveis, como um convite. Achamos-as tolas
por ignorar o perigo. Mas a verdade é que a mariposa – tão leve como o próprio
ar – na sua simplicidade, compreende o sentido do fogo melhor que qualquer
outra espécie. E sentir essa aproximação deixa-a tonta, enlouquecida e
inebriada por descobrir esse mistério delirante e mortífero.
E se seus sentidos se confundem com o fogo, é porque no
momento em que tocá-lo (e basta uma inspiração veloz, a velocidade da luz em
fogo) será tocada de volta por ele, e ocorre nesse instante algo mágico, é consumida e consome também, tornando-se parte integrada, a própria
matéria e substância que bruxuleante, é ato da encantaria.
outubro 15, 2013
A poesia não é nenhum feito heróico.
Não se descobriu a cura de doença alguma.
Não se cobriu um fato histórico.
Nem tampouco se construiu pontes, ou viadutos,
não se mostrou serviço de utilidade pública, ou humanitária.
Entretanto, talvez tenha-se partido uma alma. Ou se documentou um sentimento.
Se transfigurou uma persona em personagem, expresso em vias de nascimento.,
como o parto de uma grande dor e alegria juntas.
Tão real como você, é se expressar.
Capturar uma emoção, me liberta dela, ou me unifica à ela. Somos conjunto.
Não. Apenas somos.
Um gosto, um cheiro, uma lembrança. Pegar no gosto como amálgama,
comer o impalpável.
Resolver-se ali, num formato que reúna uma parte minha,
pode-se restaurar a si mesmo.
Devolver o objeto perdido que era sua outra parte.
Parte de você, é o que se projeta na imaginação.
O que de concreto você fabrica, que brinquedo novo seria esse,
que se realiza; senão o traço de seu território íntimo.
Não se descobriu a cura de doença alguma.
Não se cobriu um fato histórico.
Nem tampouco se construiu pontes, ou viadutos,
não se mostrou serviço de utilidade pública, ou humanitária.
Entretanto, talvez tenha-se partido uma alma. Ou se documentou um sentimento.
Se transfigurou uma persona em personagem, expresso em vias de nascimento.,
como o parto de uma grande dor e alegria juntas.
Tão real como você, é se expressar.
Capturar uma emoção, me liberta dela, ou me unifica à ela. Somos conjunto.
Não. Apenas somos.
Um gosto, um cheiro, uma lembrança. Pegar no gosto como amálgama,
comer o impalpável.
Resolver-se ali, num formato que reúna uma parte minha,
pode-se restaurar a si mesmo.
Devolver o objeto perdido que era sua outra parte.
Parte de você, é o que se projeta na imaginação.
O que de concreto você fabrica, que brinquedo novo seria esse,
que se realiza; senão o traço de seu território íntimo.
| G.Colbert |
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outubro 14, 2013
O Teatro e seu Duplo
– ARTAUD, Antonin. O Teatro e seu Duplo. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p.91
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O Teatro e seu Duplo
“É sobre esse ângulo de utilização mágica e de bruxaria que se
deve considerar a encenação, não como o reflexo de um texto escrito e de
toda a projeção de duplos físicos que provém do texto escrito, mas como
a projeção ardente de tudo o que pode ser extraído, como consequências
objetivas, de um gesto, uma palavra, um som, uma música e da combinação
entre eles. Essa projeção ativa só se pode ser feita em cena e suas consequências encontradas diante da cena e na cena;
e o autor que usa exclusivamente palavras escritas não tem o que fazer e
deve ceder o lugar a especialistas dessa bruxaria objetiva e animada.”
– ARTAUD, Antonin. O Teatro e seu Duplo. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. 81.
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O Teatro e seu Duplo²
“Fazer isso, ligar o teatro à
possibilidade de expressão pelas formas, e de tudo que houver em matéria
de gestos, ruídos, cores, plasticidades, etc, é devolvê-lo à sua
primitiva desatinação, é colocá-lo em seu aspecto religioso e
metafísico, é reconciliá-lo como universo”
– ARTAUD, Antonin. O Teatro e seu Duplo. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. 92
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O Teatro e Seu Duplo £
O teatro, como a peste, é uma crise que se resolve pela morte ou
pela cura. E a peste é um mal superior porque é uma crise completa após a
qual resta apenas a morte ou uma extrema purificação. Também o teatro é
um mal porque é o equilíbrio supremo que não se adquire sem destruição.
Ele convida o espírito a um delírio que exalta suas energias; e para
terminar pode-se observar que, do ponto de vista humano, a ação
do teatro, como a da peste, é benfazeja pois, levando os homens a se
verem como são, faz cair a máscara, põe a descoberto a mentira, a
tibieza, a baixeza, o engodo; sacode a inércia asfixiante da matéria que
atinge até os dados mais claros dos sentidos; e, revelando
para coletividades o poder obscuro delas, sua força oculta, convida-as a
assumir diante do destino uma atitude heroica e superior que, sem isso,
nunca assumiriam.
– ARTAUD, Antonin. O Teatro e a Peste. In: ______. O Teatro e seu Duplo. São Paulo: Martins Fontes, 2006.P. 28-29
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Left - Right
"Sou o lado esquerdo do cérebro.
Eu sou um cientista. Um matemático.
Eu amo o familiar, categorizar. Eu sou preciso. Linear.
Analítico. Estratégico. Eu sou prático.
Sempre no controle. Um mestre das palavras e linguagem.
Realista. Eu calculo equações e brinco com números.
Eu organizo. Sou lógico.
Eu sei exatamente quem eu sou.
Eu sou o lado direito do cérebro.
Eu sou a criatividade, um espírito livre. Eu sou paixão.
Anseio. Sensualidade. Eu sou o som das gargalhadas.
Eu sinto. A sensação de areia debaixo dos pés descalços.
Sou movimento. Cores vivas,
Eu sou o desejo de pintar sobre uma tela vazia,
Eu sou a imaginação sem limites. Arte. Poesia. Eu percebo. Eu sinto.
Eu sou tudo o que eu queria ser."
Eu sou um cientista. Um matemático.
Eu amo o familiar, categorizar. Eu sou preciso. Linear.
Analítico. Estratégico. Eu sou prático.
Sempre no controle. Um mestre das palavras e linguagem.
Realista. Eu calculo equações e brinco com números.
Eu organizo. Sou lógico.
Eu sei exatamente quem eu sou.
Eu sou o lado direito do cérebro.
Eu sou a criatividade, um espírito livre. Eu sou paixão.
Anseio. Sensualidade. Eu sou o som das gargalhadas.
Eu sinto. A sensação de areia debaixo dos pés descalços.
Sou movimento. Cores vivas,
Eu sou o desejo de pintar sobre uma tela vazia,
Eu sou a imaginação sem limites. Arte. Poesia. Eu percebo. Eu sinto.
Eu sou tudo o que eu queria ser."
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outubro 13, 2013
...e bate o Machado da dúvida...
¨Calcular
os catetos e a hipotenusa de um triângulo retângulo é fácil. Comparar a
teoria de Bohr e a mecânica ondulatória é fácil. Fazer ligações
químicas iônicas, covalentes e metálicas é fácil. Difícil é provar que
Capitu traiu Bentinho¨. Erika Schade
I, Pet Goat - Heliopant
I, pet goat II from Heliofant on Vimeo.
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outubro 08, 2013
O Caleidoscópio Mágico
Eu vivo num tempo outro, que não é nenhum dos três tempos conhecidos, eu
vivo num tempo que só se alcança e escorrega,como água, ou areia, quando se está distraído.
É isso. Sem nada pensar e tudo a sentir. Mas me pergunto se meu transbordamento não cabe nesse tempo, e nem nesse deslimite. Então eu invado, outros tempos e outras atmosferas. Feérica, diluída, translúcida.
E esses mares revoltos que me dominam às vezes, eu também sei dominar. Por impulso, momentânea. Denomino a força maior à meu favor, e renasço, deslizando sobre as ondas. Se a maré é boa ou outra, não sei, nada sei.
Nada só. Nado em múltiplos desvairados. Só a capacidade inata de me transfigurar em mar. Oceânica.
Se levantar uma pedra, ali estou. Se olhar uma estrela lá em cima, lá estarei; no verde de uma planta, os poros respirama, respira ama, em cada célula, em cada átomo, em cada interconectivida: respira e ama.
É isso. Sem nada pensar e tudo a sentir. Mas me pergunto se meu transbordamento não cabe nesse tempo, e nem nesse deslimite. Então eu invado, outros tempos e outras atmosferas. Feérica, diluída, translúcida.
E esses mares revoltos que me dominam às vezes, eu também sei dominar. Por impulso, momentânea. Denomino a força maior à meu favor, e renasço, deslizando sobre as ondas. Se a maré é boa ou outra, não sei, nada sei.
Nada só. Nado em múltiplos desvairados. Só a capacidade inata de me transfigurar em mar. Oceânica.
Se levantar uma pedra, ali estou. Se olhar uma estrela lá em cima, lá estarei; no verde de uma planta, os poros respirama, respira ama, em cada célula, em cada átomo, em cada interconectivida: respira e ama.
outubro 04, 2013
Florescia
No momento em que a menina pôs os olhos na flor,
imediatamente coloriu-se de amarelo, vermelho e rosa
A transfusão de ornamentos fez com que estivesse ligada
como um cordão, da raiz ao umbigo.
A metamorfose foi completa e respirou pelos poros da flor,
sua coluna-caule ramificava suas terminações sensíveis
e sentia os sulcos da terra envolvendo e se fechando sobre si:
tão plantada estava.
Sua cor e odor agora eram os do néctar vivo que atraía as abelhas,
as formigas e beija flores.
Sentiu a delicadeza do toque, e deixou que lhe sugassem seus líquidos,
de certa forma beijaram-se, a menina-flor e sua extensão folhosa,
era essa afinal sua essência, natural.
outubro 03, 2013
Das Vantagens de Ser Bobo
![]() |
| E a vaca não foi pro brejo ! |
¨O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e
tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por
duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou
fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se
lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade,
espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os
espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se
descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas
humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca
parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de
um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele
disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara
para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo
sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era
de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo:
mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é
ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o
esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence
com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma
punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não
prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por
bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por
isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos
ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás
não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo
com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita
ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É
quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o
bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo¨.
Clarice Lispector, boba infinitamente sabida.
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Meu Trickster
![]() |
| Sigyn - Loki |
Já roubou algo, por mais simples que fosse, quando tinha dinheiro no bolso?
Ou teve uma reação inusitada, quando achava que era imprópria à sua natureza, e surpreende à todos, inclusive, e principalmente, à si próprio. É disso que estou falando. É como uma mentira sincera.
A questão não é ser repugnante, abjeto, risível, ridículo ou até estúpido. E sim, fazer isso com maestria.
Ser magistralmente abjeto. Mergulhar profundamente na lama lodosa, e divertir-se nadando ali.
Mas atenção, não basta ser apenas infame, ser-somente, mas ir além, transformar esse sentir dionisíaco em divino; o vício em virtude, não o contrário.Então cobri-la de lisonjas, de carícias voluptuosas enaltecendo-as! Chega de nobres canduras, elevadas consciências, do recato, palavras bonitas e idealizadas; a virgem incontinenti.
O romantismo pueril, danem-se os edificantes pensamentos, pois assim ninguém goza. Só se goza se puder assumir seu lado puta, não com sexo adequado e comportado, para isso existem os higienistas.
Um gozo de Trickster, seria o poder do riso e do luxuriante dançar. A gargalhada sagrada quando se ri sem controle, soltando as pregas, soltando peido, sons, ruídos, as pregas (as regras, as pragas) sociais.
A libidinagem está no riso, afirmo. Nada é mais bonito e engraçado que o riso febril.
E libidinoso, já que a graça é o que nos faz bem, nos acrescenta, e dilui a censura. (Esta sim sem graça).
A regra burra, a lei estúpida que nos transforma em alienados de nós mesmos, subjuga e inferioriza: deve ser ludibriada, sistematicamente uma fraude.
Aliás, leis que escravizam um pensar, dogmatizam e igualam pessoas, deveriam ser zombadas até não mais poder, ultrapassadas e espoliadas. Ou se não for possível, encontrar brechas, lacunas possíveis em suas próprias falhas.
Burlar uma regra burra é uma Arte! Artimanhas...
Esses são ensinamentos preciosos, e é um prazer segui-los pra em seguida infringi-los.
Novas ficções de travessuras.
O Bobo é também O Louco, a loucura e o desarranjo.
Aliás, leis que escravizam um pensar, dogmatizam e igualam pessoas, deveriam ser zombadas até não mais poder, ultrapassadas e espoliadas. Ou se não for possível, encontrar brechas, lacunas possíveis em suas próprias falhas.
Burlar uma regra burra é uma Arte! Artimanhas...Esses são ensinamentos preciosos, e é um prazer segui-los pra em seguida infringi-los.
Novas ficções de travessuras.
O Bobo é também O Louco, a loucura e o desarranjo.
Loki - Deus do Fogo, das trapaças, sexo e dos ladrões, existe em nós, na medida em que despertamos pra ele - um Bobo Sombra deve ser investigado tão intensamente quanto possível, ou a trapaça será consigo. O Bobo Sombra se estudado, é crescimento, aceitação da sua realidade pessoal sem fazer juízo de valor.
E é preciso extravasar o Fogo, por pra fora, ou serei consumida, labaredas que queimam a mim.
Clarissa Pinkola Estés, fala na sexualidade feminina, em desejos de um obsceno sagrado, não como entendemos hoje, mas uma sabedoria sexual irreverente e bem humorada, vital pra uma natureza selvática, como a das "Deusas Sujas".
Baubo, uma Deusa da Grécia antiga, pouco conhecida das divindades, adorável e picaresca, é a pequena deusa que faz com que Deméter, exausta e desesperançada, pudesse voltar a sorrir de seu rebolado, de suas piadas picantes, do balanço de seu corpo - sua graça sensual, e juntas riam a deusa do ventre Baubo, e a deusa mãe da terra Deméter, que reuniu forças pra prosseguir em sua busca, que bem sucedida devolve vida ao mundo, aos campos e ao ventre das mulheres.
E é preciso extravasar o Fogo, por pra fora, ou serei consumida, labaredas que queimam a mim.
Clarissa Pinkola Estés, fala na sexualidade feminina, em desejos de um obsceno sagrado, não como entendemos hoje, mas uma sabedoria sexual irreverente e bem humorada, vital pra uma natureza selvática, como a das "Deusas Sujas".
Baubo, uma Deusa da Grécia antiga, pouco conhecida das divindades, adorável e picaresca, é a pequena deusa que faz com que Deméter, exausta e desesperançada, pudesse voltar a sorrir de seu rebolado, de suas piadas picantes, do balanço de seu corpo - sua graça sensual, e juntas riam a deusa do ventre Baubo, e a deusa mãe da terra Deméter, que reuniu forças pra prosseguir em sua busca, que bem sucedida devolve vida ao mundo, aos campos e ao ventre das mulheres.
Mas fazer rir é um equilíbrio de malabarista, pois buscar o cômico dentro
de você, é buscar as farpas também, seus traços risíveis são os mais absurdos.
E rir destes, que a comicidade é o risco de se tornar risível você mesmo, e vem
com certa tragédia. Todo ato genuinamente cômico é absurdo. E ora pode-se fazer
rir com você, ou de você, ora você ri sozinho. Mesmo quando se debocha da Sociedade
ou do Rei.
Tão engraçado quanto, se a piada é o ridículo que se é.
O risco é só perder a cabeça, no imaginário e no real mesmo!
Em todos nós existe - em maior ou menor nível -
uma vontade de perder o controle. E de fato não temos controle total sobre
pensamentos que temos, sobre reações de nosso corpo, nossa psique
inconsciente, a natureza instintiva age à sua maneira dentro de nós,
lembrando que o controle total é uma ilusão. Reprimir vai causar danos, e vai reaparecer
de outras formas distorcidas e doloridas, enquanto não se atentar. Nada impede
então que se aproveite um pouco do descontrole à seu favor, a criatividade primitiva.
A aleatoriedade da vida nos impõe escolhas burocráticas às vezes, portanto tão aleatória é, que dentro do imprevisível contêm possibilidades de improvisar saídas engenhosas - e espalhafatosas. É como dançar tango, “se erra um passo, segue, continua a dançar”, uma batida rítmica, insistente e volátil.


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outubro 01, 2013
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