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agosto 31, 2018

"shine on, you crazy diamond"

Aquilo que disse à minha mãe era verdade
Continuei dizendo
[Verdades repetidas, agora são conferidas]
Eu dei um último aviso
uivo infinito
me envergonhei e me orgulhei, de tudo que não me dizia respeito
senti falta de tudo aquilo que achei que era conhecido por anos em familia
mas eram ultras-outras coisas
pensar dá trabalho

"vc tinha o tamanho certo'
"era uma menina!!!''
'' mãos pequenas, o corpo dos meninos''
''tão bonita, mas tão feroz''
''tão grande, e tão...."
"quando vai aprender os modos..."
'ela sorria, mas queria morder"
"tudo é jovem, vai envelhecer, outras formas..."
"tem o medo, e tem a ousadia"
"'queria menino ou menina?, agora tem os dois" *

vou esperar que um dia, tenha mais luz que sombra
e que não embreew as tentativas,
são todas tão pueris
perto de um trator, rolo compressor da realidade
esmaga
comprime
faz de todos nós,
seres que desejam, o novo, os novos outros antigo( que vcs tmbem queriam)
velhos tempos
fake news, vou conferir
mas entre jornal nacional,
avidez supra real
leitura bocejante e diária whatssapp.

Eu conheci, alguém
mais além
falei com meus avós mortos
 falei com minhas vozes e vós.
 Falei, com o tempo que não viraliza.
Senti, conforme os tempos...
Escutei, com atenção minhas mortes ativas
Todas elas me diziam:
vá dizendo. Aos tropeços.
àos erros, e acertos não reconhecidos
Vá seguindo.
Sem fôlego mesmo
pare rápido, olhe em volta, feito animal
 Continue.
Respire.
Você não é só pele e osso
mas agora é
sangue borbulhante
respiro de primitivo
caminho verdadeiro.


* Conversa  a sombra que há em mim, diz à luz que há em mim.(Continua, no papel´caderno)

agosto 27, 2018

Human Nature

O espírito humano de desbravar
é mais forte que tudo
é a vida pura,
rompendo, brotando
nas condições mais improváveis
no inóspito
no imprevisível.
Rodin - Embraced girls

agosto 24, 2018

O que calo, também é fala ( e falo)


O silêncio tem vários sentidos.
O calar meditativo, e esvaziar-se dos sentidos. Um calar de profundidade da alma, o ouvir-se nítido .
O calar de refletir, processar emoções, sentimentos, situações, eventos internos e externos.
Tipos vários de silêncios.
Há também o silenciar como recusa. Recusar-me a comunicar. A ouvir, e a trocar. Silencio, pois estou imersa(o) em mim mesma(o), e não quero sair de dentro de mim. Recuso-me. E recuso a comunicação como forma de me ver no olhar do outro, de estar no mesmo lugar imaginado/imaginário que é espaço criado dentro do diálogo. E que pra isso, haveria de ter abertura, e querer. A reciprocidade da comunicação.
A fala para alcançar o interior do Outro, não precisa apenas ser dita, falada, mas sim e principalmente a permissão para o Encontro.  Tocar no Entendimento é alcançar o lugar do Encontro.
A fluidez da abertura e da permissão para.

É comum hoje perceber como a recusa, se torna inabilidade social em comunicar-se com outrxs, perdemos ou estamos a perder os ouvidos sociais de escuta sensível, trocar e refletir para e com. Habilidade interpessoal que se interrompe: há quem se exceda também, e o espaço é preenchido por só um dos lados.  Assim se torna monólogo, e não diálogo.  O ímpeto, o incontido. Palavras são voluntariosas na sua vontade de escapar do silêncio ao verbo. Tomar forma, e comunicar.

Há excesso no verbo? Há também.
Mas há igualmente, verdade individual, ou pessoal, de um que não aprisiona o verbo. Daí verbo se torna ação, concretude dos pensamentos. Mas quando não encontra eco ou ressonância no Outro, se esbarra na muralha intransponível do Silêncio.
Mas este Silêncio também, traduz sentido, e comunica algo. É febrilmente alto, enfático, eloquente.    Mas inconcluso.

Há lendas sobre os problemas da comunicação, como a Torre de Babel, em que diversas linguagens distintas existiam para confundir, e desorientar os humanos, no seu propósito de se entenderem.
Na clínica analítica, e na arteterapia, imaginei uma proposta, a de criar uma Caixa de Pandora invertida; ao invés de soltar os males do mundo, se libertaria o espírito das palavras aprisionadas.  Palavras pensamentos sentires, sentimentos; libertos, libertados. Os pensamentos que comumente guardamos pra nós, e perdemos a oportunidade de dizer.  Construir, pintar, simbolizar criativamente a caixa, e em seu interior, como a cabeça que temos, cheia dos pensares-pesarem, criam o lugar, o espaço físico das palavras que antes não foram ditas, do verbo que não saiu na hora, daquilo que perfeitamente era construção mental, mas era também anseio por dizer, e se perdeu no tempo.
Na Caixa, é criada a função de expelir. As coisas que a gente guarda e quer dizer, e as outras que se diz querendo dizer. E ainda as que dizemos, sem querer dizer.
Os pensamentos se materializam.

Existe direito pra delimitar o verbo, ou o silêncio (?):
Não, este é o domínio de Hermès, hermenêutica, e se suas mensagens não chegam, se perdem no caminho do falar-escutar. Falar não necessariamente diz algo, comunica algo... Quantos tem o verbo como verborrágico? E quantos calam um silêncio acintoso, e cruel no entrincheirar-se do vazio?
Qual ordem faz com que seja esse o dito? Ou o calar...?
Que desassossego impermite o tráfego das palavras. Das que jorram, e das que calam? Os interlocutores são peças num imenso mundo simbólico da permissão ou negação, entre frases expressas e as guardadas em si.  


Who needs a signal?  Or a sign. Meia palavra, ou silêncios também dizem e assim é . Texto-devaneio sobre uma não conversa, sobre sintomas e repercussões da clínica em arteterapia, e sobre mim mesma, nos desditos. Palavras que se organizam, se reúnem, e criam o vínculo simbólico.