A primeira lembrança de saudade que tive, foi quando deixei uma fazenda em uma ilha, não sei mais onde era, mas tinha uma sensação de falta, um querer não preenchido, uma ausência quase palpável. O entendimento de morte veio, quando percebi que os brinquedos, as crianças, os pais, os bichos, tudo existiria, mas sem mim.
E eu queria ainda participar! Chorei muito querendo uma explicação
convincente. Eu dizia que não queria morrer, exatamente assim. Sobre o que era
o orgasmo, minha mãe quase bateu o fusquinha no carro da frente, e quando
conseguiu dizer o que era, depois de um silêncio enorme eu não entendi nada.
(No fim, adultos não ajudavam muito, sabiam e sabem pouco também).
Se pretendo sonhar, abro um livro, entro na
cozinha, invento algo que não tinha experimentado, sento no teatro esperando
pelo apagar das luzes, e o que virá. Vou tentando achar algo que me emocione tanto quanto às
coisinhas miúdas, as delicadezas de antes. E preciso repassar tudo em
retrospectiva, pra não deixar “criar pó”.
A nostalgia, dizem que é a sensação e
sentimento idealizado, não pode ser comparada à saudade em si, porque essa tem
algo de real, de um objeto, de alguém; mas a nostalgia é a fantasia romântica desse alguém, desse algo, que não tem parâmetro nem na realidade, nem na saudade.

Me parece o cantinho que aflige a alma, como pássaro que quer voar do ninho e ainda duvida de sua habilidade... Como diz nossa amiga "por dentro sempre me persegui".
ResponderExcluirDêu pra sentir um apertosinho ,nostálgico, gostoso.Sinais de sentimentos, sinais de vida...( como uma dose de Saudades a la Lispector a cá reinventada)
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