Herman
Hesse escreveu sobre Sidarta, Jack Kerouac também, Mahatma Gandhi se
inspirou nele para fazer a revolução indiana, que libertou o povo da
colonização inglesa.
Mas ele não fez panelaço, nem barricadas, não jogou bombas de efeito moral, não fez guerrilha armada, mas fez revolução.
Até
hoje, pra mim, se mantêm uma mítica de quem foi Sidarta, o homem, antes
de ser Buda, o mito. E a “bondade” esse significado que o
acompanha... De onde vem?
É alcançado com muitos anos de meditação
até o nirvana..? Pode ser visto em algumas pessoas que fazem árduo
trabalho social? Pessoas que abrem mão de tudo, de si mesmas, de posses,
bens materiais, pra se dedicar a outro(s)? Será que nele mesmo, não
havia a dúvida interior que o acompanhava sempre, a despeito de tantos
caminhos a seguir... Para ensinar o dharma pelo país, e se dedicar à
verdade, ele abandonou a família, o filho, e seguiu fazendo o que a
consciência lhe pedia. Se um psicólogo fosse analisar do ponto de vista
do sistema familiar e a desintegração desta, ele não teria tanto mérito,
mas dizem que é preciso um grande coração pra se desapegar duma micro
sociedade, a família, e se pensar na macro sociedade, o povo. Se alguém
me perguntasse, não vejo como pode um precisar mais que de outro, e a
anulação vinda de um, em sentido micro, anularia a maior, qual é a
importância que é soberana? Uns sobre outros. Ou estou me apegando aos
detalhes, e não enxergando o sentido amplo, que abrangeria a todos nós,
se ele não tivesse caminhado só, em sua busca.
E como ele pôde
conciliar a luz e a sombra interior, nossa capacidade de ser empático,
de ter alteridade com os demais, ao mesmo tempo em que somos
egoístas...?
Seria preciso evoluir por muito tempo ainda, utilizar o
karma em diversas vidas, pra se traduzir numa vida espiritual virtuosa. E
a virtude já é outra dúvida, e outras indagações, pra cada afirmação e
resposta, tenho outras tantas perguntas que não cessam.
A vontade
de potência, ou de poder, como fica essa necessidade individual e
universal da constância do tempo, e que independe de tudo, ao mesmo tempo
em que envolve tudo, em sua força e movimento incessante, a própria
criação, destruição, renova-se, e repetição da vida, a realidade das coisas... Independe também
de nosso fluxo particular, e mesmo espiritual, ou todos e tudo estariam
imersos no mesmo fluxo de natureza desconhecida e voraz em que a
espiritualidade também participa; o círculo que movimenta a nós todos e a
toda natureza interior e exterior...

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