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| Vó Nair |
Uma de minhas avós. Tinha três avós e três avôs. Avôs hoje nenhum vivo mais.E que todo mundo tinha três igual. Voinha Rita, também. Se eu olho pra esse rostinho, penso em tudo que ela já viveu, aos 99 anos.
E quanta ternura ela tem, porque se alguém for conversar com ela vai perceber no mesmo instante, esse carinho no olhar, uma paciêêênnciaaa no falar, um sorriso constante...
Tem os esquecimentos também, as vezes preocupam, as vezes, são uma explosão de gargalhadas coletiva.
Voinha Rita foi quem me criou, quem me ensinou a cozinhar.
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| Voinha rita |
Nesta foto eu estava fazendo (e comendo), pãozinho delícia. Quem é da Bahia sabe...
Tenho que falar dela, minha mãe. (É difícil).
Eu tenho uma mãe que me ama, que foi cruel comigo, porque não sabia ser
mãe. Eu tenho uma mãe que é tempestade e tormenta, exatamente
como eu.. Ela se parece fisicamente comigo. Eu não tenho aqueles olhos
verdes, de turbulência, mas o temperanto é igual. Eu tenho uma mãe que.
Não consigo amar sem culpa. Mesmo que eu abraçe e beije, não é e nem será
como minha vó. Amor, amor, sem dor. Esse é outro tipo de amor. Aquele
de que quem sabe que passou por uma vergonha compartilhada, por uma falta,
um tropeço. Minha mãe não acredita nos mesmos deuses que eu. Ela acredita
na medicina, ela acredita na matemática, o deus dela é o deus da
lógica. Um deus exato, um deus sensato. E eu...acredito em tudo. Acredito na minha verdade, nos deuses na minha natureza interna, naquela que vejo se transformar. Incompreensível. Eu tenho uma mãe que me
perdoa. Eu, não.
Ternura, remorso, amor... Talvez não tenha sido justa, mas em se tratando de sentimentos, é uma tarefa quase impossível. Sincericídio.
ps. Não tenho foto aqui de minha vó Lourdes, e de minha mãe Ana, elas não gostam muito... Mas vou tentar alguma que elas queiram, pra completar minha homenagem. Carinho em todas elas.


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