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| Pawel Kuczynski art |
Gosto de estar entre as pessoas. Naquilo que acredito. Gosto
de me misturar, de conversar com quem não conheço, de me organizar
politicamente e sem partidos. Não sou filiada a nenhum. Meu partido é, sempre
foi, e sempre será a esperança. Meu desejo não é o de falar mais alto. Não
quero ser porta voz de nada também, ou ninguém. Não tenho o menor jeito pra politicagem. Mas
política é ato de pensar e expressar desejos muitos de modificações, eu sei. Disso
eu me meto – como posso - em participação, colaboração; é falando algo aqui,
discutindo outra coisa lá, com alguém que está equivocado, ou que está com
muita, muita raiva de tudo, e está descontando a ira quando todo mundo parece
querer vomitar tudo de uma vez. Tenho visto distorções nesses encontros com as
pessoas. Algumas acham que anarquia é desrespeitar, vandalizar, pregar
liberdades sobre outras. No Ensaio sobre a Lucidez, Saramago firma uma nação
sem líder político, sem governantes, a supremacia do pensamento liberal e independente.
Idealismo, irrealidade, utopia..? Mas um excelente exercício do pensamento racional
e desagregado. E não menos empoderamento pessoal, e coletivo. As
classes mais exploradas nunca estão presentes nas manifestações, nas Diretas Já dos anos 80, no Impeachment Collor 94, e na Ditadura anos
60-70. É preciso mais educação pra que eles tenham consciência política.
Leitura, consciência histórica... Quando uma lei não serve à população, e ao contrário só a desqualifica, diminui o seu poder, ela deve ser sistematicamente desobedecida. Seria ótimo que as pessoas tivessem essa energia pra fazer
ajustes sociais durante todo o ano. Que pudessem ler, ler, LER! Sobre Gandhi, Levi-Strauss,
a queda da Bastilha, sobre desobediência civil, Henry D.Thoreau, a história das revoluções...O que for. Como
foi que deram certo naquele lugar e época? Sobre a mudança pessoal, as revoluções
dentro de si.
Outro dia, conversando com uma amiga, eu insisti em
conversar sobre política, o que na maioria das vezes, todo mundo torce a cara.
“Porque é chato”. Falei de quanto os evangélicos tem conseguido fazer valer
suas vontades políticas, seus projetos de lei, ameaçando áreas que não dominam,
como a reorientação sexual pra heteronormatividade, ou pra dificultar antigas práticas
do candomblé, e agora, com esse estatuto de aberrações contra a mulher. Seria
muito bom que as pessoas que querem mudanças se interessassem por política. E
outra, pra haver mudanças é preciso votar em pessoas que tenham o mesmo
pensamento liberal que nós. É preciso pensar nos políticos, e nos votos. O voto
é exercício de poder, pode não ser o melhor, nem o mais eficaz, mas é
instrumento pra isso. Não é feriado pra sair, beber e curtir. Escolhas e
reflexão de propostas., pensar em candidatos que tenham relevância de
pensamento liberal. Pra descriminalizar a maconha, pra legalizar um casamento
homoafetivo, adoções idem, descriminalizar o aborto... Não é isso que dizemos
querer? Pra isso acontecer, teríamos que ter representantes liberais no
congresso, no legislativo, e em força de números significativos. Senão, vai
continuar sendo conversa de mesa de bar, de sindicatos feministas, associações
de (não tão) minorias, redes sociais e blogs.
"Se tens um coração de ferro, bom proveito. o meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia".


A questão é que somos seres políticos naturalmente, até quando não desejamos ser. Optamos, escolhemos, falamos, bem ou mal, mas falamos. E em meio a isto fazemos links, associações, contatos... A gente faz de conta que não é um ser político porque não quer assumir responsabilidade com algo maior que nós mesmos. Só que já é tarde demais. Ao passo que o mundo anda, ou pensamos no coletivo, no impacto do todo, ou simplesmente sumimos do mapa. Literalmente!
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