Páginas

abril 17, 2018

Boys on the side *

É uma de declaração de amor ao rock... Das mulheres.  Mulheres no rock tiveram várias fases; do grito ao sussurro, da ferocidade usando todas as cordas vocais, até grunhidos, vozes melancólicas, súplicas melodiosas,  suspiros e gemidos sexies de amor e ódio.   Tudo é tão intenso e voraz, seguindo batidas e acordes voluntariosos, que eu só queria essa entrega total ao volume. 
Vou começar com ícone de minha adolescência, Ms. Courtney Love. Adolescência era sinônimo de rock grunge , e um estilo subestimado hoje, era minha devoção total. Todos olhavam, e ainda olham, como o Kurt era lindo e etc e tal.. e eu só via a esposa odiada. Em verdade, eu amava o som de ambos, Kurt foi um excelente letrista. Ler o que ele escrevia era tão bom quanto ouvir o Nirvana. Mas aqui só falarei delas. Praticamente só ouvia isso por um período. E Courtney era o tipo da mulher nos vocais e na vida, que eu achava incrível, o esplendor da Deusa personificada em cabelos descoloridos, bagunçados, roupa puída, unhas descascando, batom em excesso e borrado. Uma anti-heroína (usava também) que era minha heroína musical.  Por anos foi até minha senha em contas de email!
 (E a versão dela de Hungry like a wolf do DuranDuran é melhor que a original) Desculpem os puristas..

The 80's. São os melhores, e até hoje estão sempre na frente no que ouvir. Nisso, o pós punk britânico é o melhor rock que existe, e acho que estou sendo modesta.. Uma amiga minha Leila, diz que eu danço parecida com ela, Susan Ballion ( pra minha alegria, pois não sei nada de samba pagode e afins, e essa cidade sempre me impõe isso, um saco!). Mas a voz poderosa, e meio profética, os o l h o s tão expressivos e carregados de maquiagem, bem marcado daquela década musicalmente tão rica. É uma época que a realidade lésbica podia também aflorar, por meio dessas vozes e posturas extravagantes. Outras cantoras e bandas com musicalidade do gótico ou próximo de um folk-gothic, chamam de som do etéreo, e ouvindo também percebo ser isso. Afora denominações, essa época costuma me fazer levantar de onde estiver e começar a dançar, seja onde for. E tem uma pegada teatral! Teatro do burlesque.  Ouça Vanishing - e se transporte pra uma noite de lua cheia, floresta com névoa, e criaturas misteriosas à espreita.

Preciso falar do feminismo aqui. Começar a ouvir o Hole e outras bandas com essas cacterísticas, dizem respeito à pessoa que eu queria ser adolescente. Not the girlie of daddy. Nada de roupinhas fofas, comportadas, nada que me fizesse parecer uma garota direita. Gostava e gosto da descompostura.  Ver mulheres no rock,  -terreno sempre muito másculo e machista- me inspirava e o movimento Riot Grrrls, tal como o Pussy Riot com teor político na música e nas performances. Tudo isso representa liberdade. Poder ser de outros modos, escolher como se quer ser, vestir, se relacionar ou comportar-se.














* Boys on the side: é também o nome de um filme sáfico-on-the-road que adoro, 93 ou 94, não lembro agora. Com a Whoopi Goldberg, Drew Barrymore e Mary Louise-Parker.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário