A coisa mais bonita devia ser um
quadro em branco:
Tudo o que pode vir a ser pintado.
Outra coisa mais linda : uma folha em
branco.
Com todas as ideias novas ou
renovadas que querem surgir.
O desejo íntimo de um objeto
inanimado é tornar-se único, especial.
Ter valor sensível.
É pela unicidade do olhar da pessoa,
que ele ganha vida. Existência.
Um quadro existe. Um poema
existe.
Dentro daquele branco límpido; ele
deseja borrar, insurgir, macular.
O branco aguarda a chegada das cores
e das ideias no papel e no quadro.
O branco é um estágio intermediário,
o antes
da tempestade de cores que vão tomar
forma.
De letras agrupadas em ideias que nos
dizem o que antes só sentíamos.
O pulo antes do mergulho.
Estágio levitativo do ar.
Agora tem forma, formato, intenção,
finalidade, ambiguidades.
Essas nossas coisas infindáveis que
não tem paz, mas o desejo.
Desenho: Bruno Aziz

Dar forma ao que está novo, não pela forma que estagna, mas a que movimenta, circula e poetiza, a que liberta, como as ideias que surgem sem ressentimento porque são novas e se parem, como se fossem parideiras de novos e novos ares.
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