“A Partícula de Deus”, foi esse o nome usado popularmente,
para descrever a recente descoberta científica do Bóson de Higgs, a origem da
massa das partículas subatômicas no ano passado que envolveu mais de 25 países
no mundo todo pelo CERN (Organização Européia para Pesquisa Nuclear) maior
laboratório de física de partículas do mundo. É procurada há mais de quarenta
anos e chegou a ser chamada de o “Santo Graal da física”. Afora esse
estardalhaço todo, e espetacularização da descoberta, isso me interessa, e
deve nos interessar.
Digo isso porque fui num encontro ontem com um monge swami, que veio à cidade pra falar de suas
experiências e de seu método de meditação e crescimento espiritual. Ele começa
falando justamente sobre física molecular, e isso me surpreendeu.
A quebra do
átomo, e dessa quebra, o componente de energia divina, a grandeza divina e a
incompreensão em torno dela pelos cientistas. Essa descoberta em si é a
manifestação divina em termos de ciência pela física quântica. Os átomos estão presentes em tudo que existe; em
animais, objetos inanimados, seres sencientes , minerais, e humanos. Em tudo
que existe há átomos e o Bóson de Higgs, ou partícula de Deus, como preferir.
Mas segundo o
monge swami, os cientistas não conseguem compreender essa energia, que se
desprende da aceleração e colisão dos átomos. Que nenhum entende esse divino que há ali.
Muitas pessoas
fizeram perguntas, após a exposição oral, eu fiz também. E obtive algumas
respostas. Ainda insatisfatórias para as questões de existência nesta vida.
Se nosso
sofrimento está ligado à nossa relação com outros seres humanos, e se em
origem éramos puros, bondosos, pacíficos, não seria em relação com este outro
que aprendemos a ser assim..? Tanto a bondade, a paz, ou o sentido de pureza, e
de sofrimento, ou maldade, só é apreendido, através das relações, da linguagem,
da cultura, da época vigente, e da aprendizagem no meio social. Alguns signos e
símbolos, só são assimilados em convívio entre iguais.
Mesmo que o
indivíduo negue, ou se afaste da sociedade por longos períodos, ou pela vida
toda, ainda seria através da negação, ou oposição, desses conceitos de que não
compartilha com outras pessoas, que esse sujeito se afastaria. Ou seja, mesmo
se afastando delas ainda estaria em relação com estas.
Essa é a primeira
contradição fundamental. Somente em contato com outros semelhantes, e tendo
acesso a esses símbolos e signos, a complexidade desse contato que nos faz
humanos. Retire isso e retira-se toda a humanidade.
Estou a dizer que
não nascemos humanos, e sim, nos tornamos humanos.
A história do
menino lobo, que não vou me estender, pois quase todos a conhecem, que consegue sobreviver em condições adversas e sem contato humano nenhum, apenas animal
pelo lobo, desenvolve um repertório comportamental como este.
Diferente dos humanos,
não fica de pé, postura ereta hominídea, ou consegue segurar um garfo,
característica do pinçar objetos pelo polegar opositor, mesencéfalo desenvolvido;
as supremas provas da diferença evolutiva ente animais humanos e animais
não-racionais.
Entre
outras características seguintes, o uso do pensamento e da linguagem, expressão
da comunicação verbal e não verbal, visualizar e focar o olhar em outro,
interpretar expressões faciais, e gestuais,..etc.
Expressões
de características humanas. Então, ainda poderíamos chamar de ser humano, um
que não possa ter essas atribuições fundamentais?
Para
podermos expressar sentimentos, é preciso relação com o outro. A emoção pura e
simples existe em muitas espécies, mas a evolução das emoções primárias (medo,
raiva, fome, agressividade, excitação..) em sentimentos complexos (amor, saudade, desejo, angústia, violência, compaixão..) é realizado através do
aprendizado social.
Então,
não consigo entender a negação de nossa humanidade. Se ele me fala do ciúme, da
possessividade, da violência – para fatores como depressão, e o sofrimento
espiritual, que seria preciso desapegar-se; eu fico ainda reticente. Como?
Como então negar ou
anular a humanidade básica que nos torna o que somos. Há como “desconstruir” os
referenciais que aprendemos? O desenvolvimento natural, biológico, afetivo,
psicológico, mental, seria afetado gravemente.
Tanto as emoções complexas, os sentimentos, o desenvolvimento da razão no intelecto, a inteligência corporal, física e biológica são a prova inefável de nossa particularidade em relação à outras espécies.
(Com isso não quero dizer que estamos acima , superiores, e portanto tudo podemos fazer. Muito pelo contrário, nossa responsabilidade com outras espécies, e com o planeta é maior à medida que estamos conscientes do papel evolutivo de um todo, em que fazemos parte - jamais a prepotência do Especismo ).
Inclusive o nosso ciúme, os desejos, os sonhos, os delírios,
o apego emocional, é o que nos faz seres humanos. E até mesmo nossa noção de
divino, a necessidade de nomear deuses, mitos e representações do sagrado, a
dimensão espiritual. Também aí, é único do ser humano.
A natureza dual de luz e sombra, sua contradição inerente, e
todos os desdobramentos psicológicos, existenciais, filosóficos, e porque não
dizer, práticos, dependem desta compreensão a que chegamos hoje.
O desejo de conhecer, a curiosidade natural é comum a uma
diversidade de espécies, mas vai além do desejo. Angústia é o dilema interno e
diário, quando temos que decidir a todo momento, nossos quereres em plano e
tempo real.
E o componente espiritual nos acompanha se podemos minimizar
sofrimento alheio, sentir alteridade, empatia, se escolhemos voluntariamente,
prezar e valorizar o outro em nossas relações, se puder ou houver dimensão de
amor e irmandade em cada, e em conjunto, como espécie humana.
A isso, ciências não precisariam explicar (mas explicam!). Ou
teorias animistas, psicológicas, sócio-antropológicas....
Portanto, ainda vejo com relutância, quando dizem que se
deve afastar todos esses conhecimentos, sem mencionar o inconsciente, e a
repressão desses atributos todos, para dar lugar apenas e unicamente, ao
espiritual.
Seria “compartimentar” também, como fazem os racionais
positivistas, excluindo a espiritualidade, e reduzindo-nos a conjecturas
intelectuais.
Excluir tudo que nos faz ser o que somos, ou seja, animais
racionais; ainda que duvidemos da capacidade humana de
raciocinar, já que tantos hoje em dia abdicam desta. E outros já embotaram as
emoções, a afetividade.
Muito sério é abdicar de qualquer parte que nos
compõe, porque seria dentro dessa união (des)harmoniosa nosso desafio nesta
vida. Ou evolução.
Um equilíbrio mental, sem prejudicar ou ignorar habilidades
intelectuais; equilíbrio de emoções, sem dar vazão total ao ego, ou hedonismo,
a um sentimento em detrimento de outros; equilíbrio e paz espiritual, saber dar
espaço para manifestações e fenômenos que ainda não sabemos ou pudemos
explicar.
Psicológico e social,
ou nada será trocado, compartilhado, experimentado fora, e além de si.
Uma vida não é, nem será suficiente, pra absorver e
empreender esse todo, é preciso muitas vidas.E se não nos matarmos, uns aos outros, de tantas maneiras sofisticadas, como temos feito obstinadamente, dizimando a Natureza, e à nós mesmos por consequencia, se essa evolução chegar um dia, a seu grau último, eu
arrisco dizer que teríamos cumprido uma trajetória evolutiva ancestral, e podemos tomar
outras formas, inclusive outra constituição física, espiritual, e talvez não mais
terrena e limitada.


Quando acordo, busco ao máximo compreender o que ou como estou me sentindo naquele momento. Geralmente é o carro chefe para o resto do dia, mas inevitavelmente alimento meus sonhos e pensares, enriqueço o carinho pelas pessoas que amo ou prezo e, ao final, relembro de todos que amo e já se foram. Poucas vezes lembro de mágoas ou irritações antigas. As recentes perduram, geralmente até baixar a poeira, mas também são relevadas, de tempos em tempos. E a cada dia penso que mais e mais coisas precisam ser vividas, nem tanto hermeticamente compreendidas, mas corroborando com o que somos e... porque somos.
ResponderExcluirfísica quântica, lei da atração - repulsão sobre o que conversamos antes mesmo do encontro com o monge...
ResponderExcluir