...manter o Amor.
Recomeçar, sim. Depois da eleição, e dos dias difíceis, intermináveis que se passaram. Existir. Se cuidar, cuidar dxs outrxs. O ultimo domingo, da contagem de votos, acabei indo pro Rio Vermelho com uma amiga, não ficamos nem 10 minutos. O clima senti estranho desde ali, senti que íamos perder. Os rostos angustiados, tensos, ansiedade. Mas eu continuava com minha esperança. Houve briga, violência policial lá, uma pessoa que estava comigo, conosco nas ações de Vira Voto, foi agredida de forma brutal, e foi hospitalizada. Soube depois que se recuperou, e está bem. Até saber, fiquei louca querendo ir até o hospital, vê-la, saí pedido informações dos grupos, queria achar o hospital, ao mesmo tempo que me acalmava e tentava acalmar/confortar as companheiras.
Na casa de minha amiga, chegamos já com o resultado em forma de fogos, de gritos "Bolsonaro presidente" "morte aos petralhas" "morte a Lula", ...
Os prédios gritavam, isso foi me dando aperto no peito. Não sei descrever. Não era desespero, era tristeza enorme, e descrença. Não consegui comer, não bebi quase nada. E queria não ficar sóbria queria esquecer de tudo, apagar, esquecimento. Mas fiquei, com o corpo doído, sem voz, inacreditavelmente pensativa...e revoltada. ''Amanhã continuar, amanhã sim insistir, porque o hoje, é amargo demais, mas amanhã vou estar viva ainda, e vou continuar tentando..." Se a experiência da realidade me mostra o vazio, é isso que vou digerir. É isso apenas que vou sustentar, e ficar com.
Saí andando, já bem mais tarde da casa da amiga, fui andando até a minha, e tanto sentimento dentro. É mistura de tanta coisa, de esvaziamento, de querer preencher, mas sem saber o que cabe, porque o coração morreu um pouco aquela noite...
Nos dias que seguiram fiquei em silêncio. saí de vários grupos de ações em que estava.
Mas ainda estou num grupo, nos encontramos, nos reunimos, falamos, desabafamos, nos escutamos.
Houve dinâmica pra acolher. Houveram abraços. Soubemos até sorrir. E não foi difícil. Foi muito, muito bom. Força, estamos juntas, vamos continuar juntas e fortes. Planejamos outras ações, outro foco, reorganização, planejamento, reestruturação. Isso tudo nos organiza internamente também.
Saímos de lá todas bem, que bom estar entre as mulheres, grupo de resistência, fortalecida! Saímos com ideias concretas, e novas datas e posturas. Então o que temos, na pós ressaca de eleição não é nenhum paraíso, mas também nem o outro extremo, de escombro emocional, mas um caminhar possível, e contínuo. Aos poucos...
O Amor vai continuar: nas ruas, nas nossas casas, até entre os familiares, estamos empenhadas em achar o modo, os caminhos pra isso. É preciso continuar, é preciso.
Recomeçar, sim. Depois da eleição, e dos dias difíceis, intermináveis que se passaram. Existir. Se cuidar, cuidar dxs outrxs. O ultimo domingo, da contagem de votos, acabei indo pro Rio Vermelho com uma amiga, não ficamos nem 10 minutos. O clima senti estranho desde ali, senti que íamos perder. Os rostos angustiados, tensos, ansiedade. Mas eu continuava com minha esperança. Houve briga, violência policial lá, uma pessoa que estava comigo, conosco nas ações de Vira Voto, foi agredida de forma brutal, e foi hospitalizada. Soube depois que se recuperou, e está bem. Até saber, fiquei louca querendo ir até o hospital, vê-la, saí pedido informações dos grupos, queria achar o hospital, ao mesmo tempo que me acalmava e tentava acalmar/confortar as companheiras.
Na casa de minha amiga, chegamos já com o resultado em forma de fogos, de gritos "Bolsonaro presidente" "morte aos petralhas" "morte a Lula", ...
Os prédios gritavam, isso foi me dando aperto no peito. Não sei descrever. Não era desespero, era tristeza enorme, e descrença. Não consegui comer, não bebi quase nada. E queria não ficar sóbria queria esquecer de tudo, apagar, esquecimento. Mas fiquei, com o corpo doído, sem voz, inacreditavelmente pensativa...e revoltada. ''Amanhã continuar, amanhã sim insistir, porque o hoje, é amargo demais, mas amanhã vou estar viva ainda, e vou continuar tentando..." Se a experiência da realidade me mostra o vazio, é isso que vou digerir. É isso apenas que vou sustentar, e ficar com.
Saí andando, já bem mais tarde da casa da amiga, fui andando até a minha, e tanto sentimento dentro. É mistura de tanta coisa, de esvaziamento, de querer preencher, mas sem saber o que cabe, porque o coração morreu um pouco aquela noite...
Nos dias que seguiram fiquei em silêncio. saí de vários grupos de ações em que estava.
Mas ainda estou num grupo, nos encontramos, nos reunimos, falamos, desabafamos, nos escutamos.
Houve dinâmica pra acolher. Houveram abraços. Soubemos até sorrir. E não foi difícil. Foi muito, muito bom. Força, estamos juntas, vamos continuar juntas e fortes. Planejamos outras ações, outro foco, reorganização, planejamento, reestruturação. Isso tudo nos organiza internamente também.
Saímos de lá todas bem, que bom estar entre as mulheres, grupo de resistência, fortalecida! Saímos com ideias concretas, e novas datas e posturas. Então o que temos, na pós ressaca de eleição não é nenhum paraíso, mas também nem o outro extremo, de escombro emocional, mas um caminhar possível, e contínuo. Aos poucos...
O Amor vai continuar: nas ruas, nas nossas casas, até entre os familiares, estamos empenhadas em achar o modo, os caminhos pra isso. É preciso continuar, é preciso.
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ResponderExcluirOi. Pensei se devia publicar esse comentário seu, já que nem deixou nome, pra eu saber quem é, e se me conhece de fato. Mas como leu meu texto todo, e lhe fez pensar algo, mesmo que assim ríspidx e simplório, resolvi publicar e responder.
ExcluirJá fui chamada de mais coisas ainda que ''idealista'', e ''utópica'', tais como romântica, sonhadora, louca, etc. Mas todos esses adjetivos, eu recebo como elogios, pois vêm normalmente de pessoas céticas. E isso diz muito mais da pessoa que me fala, do que de mim mesma. Quem é cético, costuma estar naquela nuvem confortável, ou em cima de um muro - nem sempre confortável-, mas se isenta de se posicionar no mundo. De dar sua opinião ou contribuição. E eu, ao contrário, não tenho, não quero, mesmo sei, como não me posicionar, pois faço isso sempre e tempo todo. Sobre feminismo, sobre ser vegetariana, ser sapatão, ser "de esquerda", (ou algo q hoje em dia signifique isso, pois o sentido original já se perdeu), de minha orientação espiritual, política, sexual, ideológica, alimentar, poética, psicológica, transcendente... Pois pra mim tudo está ligado, relacionado, e sendo pensado. E sentido e pensado.
Então sou isso sim, que falou ali. E muitas outras coisas mais. Tantas que nem sei, e vou descobrindo a medida que me apontam adjetivos, ou rótulos. Mas nomear dá mais poder, a mim, do que aos outros que nomeiam.
Mas valeu a dica, sempre válido pra eu refletir , mais , meus pontos de vista, a partir de outros.
Bjs