O silêncio tem vários sentidos.
O calar meditativo, e esvaziar-se dos sentidos. Um calar de profundidade da alma, o ouvir-se nítido .
O calar de refletir, processar emoções, sentimentos, situações, eventos internos e externos.
Tipos vários de silêncios.
Há também o silenciar como recusa. Recusar-me a comunicar. A ouvir, e a trocar. Silencio, pois estou imersa(o) em mim mesma(o), e não quero sair de dentro de mim. Recuso-me. E recuso a comunicação como forma de me ver no olhar do outro, de estar no mesmo lugar imaginado/imaginário que é espaço criado dentro do diálogo. E que pra isso, haveria de ter abertura, e querer. A reciprocidade da comunicação.
A fala para alcançar o interior do Outro, não precisa apenas ser dita, falada, mas sim e principalmente a permissão para o Encontro. Tocar no Entendimento é alcançar o lugar do Encontro.
A fluidez da abertura e da permissão para.
A fala para alcançar o interior do Outro, não precisa apenas ser dita, falada, mas sim e principalmente a permissão para o Encontro. Tocar no Entendimento é alcançar o lugar do Encontro.
A fluidez da abertura e da permissão para.
É comum hoje perceber como a recusa, se torna inabilidade social em comunicar-se com outrxs, perdemos ou estamos a perder os ouvidos sociais de escuta sensível, trocar e refletir para e com. Habilidade interpessoal que se interrompe: há quem se exceda também, e o espaço é preenchido por só um dos lados. Assim se torna monólogo, e não diálogo. O ímpeto, o incontido. Palavras são voluntariosas na sua vontade de escapar do silêncio ao verbo. Tomar forma, e comunicar.
Há excesso no verbo? Há também.
Mas há igualmente, verdade individual, ou pessoal, de um que não aprisiona o verbo. Daí verbo se torna ação, concretude dos pensamentos. Mas quando não encontra eco ou ressonância no Outro, se esbarra na muralha intransponível do Silêncio.
Mas este Silêncio também, traduz sentido, e comunica algo. É febrilmente alto, enfático, eloquente. Mas inconcluso.
Há lendas sobre os problemas da comunicação, como a Torre de Babel, em que diversas linguagens distintas existiam para confundir, e desorientar os humanos, no seu propósito de se entenderem.
Na clínica analítica, e na arteterapia, imaginei uma proposta, a de criar uma Caixa de Pandora invertida; ao invés de soltar os males do mundo, se libertaria o espírito das palavras aprisionadas. Palavras pensamentos sentires, sentimentos; libertos, libertados. Os pensamentos que comumente guardamos pra nós, e perdemos a oportunidade de dizer. Construir, pintar, simbolizar criativamente a caixa, e em seu interior, como a cabeça que temos, cheia dos pensares-pesarem, criam o lugar, o espaço físico das palavras que antes não foram ditas, do verbo que não saiu na hora, daquilo que perfeitamente era construção mental, mas era também anseio por dizer, e se perdeu no tempo.
Na Caixa, é criada a função de expelir. As coisas que a gente guarda e quer dizer, e as outras que se diz querendo dizer. E ainda as que dizemos, sem querer dizer.Os pensamentos se materializam.
Existe direito pra delimitar o verbo, ou o silêncio (?):
Não, este é o domínio de Hermès, hermenêutica, e se suas mensagens não chegam, se perdem no caminho do falar-escutar. Falar não necessariamente diz algo, comunica algo... Quantos tem o verbo como verborrágico? E quantos calam um silêncio acintoso, e cruel no entrincheirar-se do vazio?
Qual ordem faz com que seja esse o dito? Ou o calar...?
Que desassossego impermite o tráfego das palavras. Das que jorram, e das que calam? Os interlocutores são peças num imenso mundo simbólico da permissão ou negação, entre frases expressas e as guardadas em si.
Who needs a signal? Or a sign. Meia palavra, ou silêncios também dizem e assim é . Texto-devaneio sobre uma não conversa, sobre sintomas e repercussões da clínica em arteterapia, e sobre mim mesma, nos desditos. Palavras que se organizam, se reúnem, e criam o vínculo simbólico.

Ha o silêncio também do receio de não ser entendido, O medo de "dizer algo errado", e se sentir separado do outro. Conheco isso demais... Esse desejo de pertencer e de conectar que também faz calar e, ao invés de aproximar, afasta.
ResponderExcluirQuero uma caixa dessas que você fizer...