...nesta seara, o movimento de avaliação e mudanças constantes,
a passagem da pessoa pela análise é (sem poetizar), o confronto e a catarse da
autodescoberta. Existe o fluxo contrário
à estas mudanças, tanto do próprio sujeito (resistência interna), como da rede
de vínculos: e amigos, familiares, conjugue, pessoa próximas (resistência
externa) em manter como está.
Trocando em miúdos; se o sujeito costuma agir
prejudicialmente consigo (exemplos) beber todo fim de semana pra esquecer tal
fato (relação de trabalho causadora da neurose, ou ambiente familiar
disfuncional, etc). A terapia o faz voltar no tempo, para onde que isto se originou.
Ou se o casamento faliu há muito tempo, e por alguma(s) razão(ões),
se mantêm vínculos desgastados; o psicólogo faz as intervenções de modo à ele (ela),
se questionar dos porquês, que se chegou a isso, como se desenvolveu o
adoecimento da relação, sendo trazido à tona nas sessões.
Importante: o psicólogo
jamais faz considerações acerca de predeterminar ações, ou direcionar posições
e condutas do paciente, ou ainda, fazer julgamentos ou juízo de valores, de
escolhas. A posição do psicólogo é pautada na ética, mas isso não significa
suavizar a gravidade da situação, ou evitar as expressões de choro, raiva,
confusão, etc, que se seguem à devolução dos discursos na análise. O de fazê-lo
chegar por si mesmo a este confronto pessoal, por suas próprias palavras,
visualizar seu passado e presente como ação de suas escolhas, antever este
confronto e estar pronto ao acolhimento, e novas diretivas de comportamento.
Possivelmente, os amigos com quem o sujeito se relaciona nos
fins de semana para beber,e seus vínculos próximos, não entenderão as mudanças
e os comportamentos que vem da psicoterapia, e muito provavelmente, vão fazer o
sujeito retornar aos comportamentos autodestrutivos anteriores, e velhos hábitos,
e também refutar os novos questionamentos.
Parênteses aqui: Todas as mudanças no sujeito, vem acompanhadas
de diferentes tipos de questionamentos, as autoavaliações do indivíduo, que ele
se faz para adequar as mudanças às vezes benéficas, em outras de negação, - ora
de si, como agia/age –ora de resistência à psicoterapia. Todos estes questionamentos e novas demandas
são saudáveis, no sentido de trazer o conteúdo à luz da consciência, comportamentos viciados, engessados, atitudes
habituadas pelo padrão das contingências do passado.
Então o psicólogo, deve se preparar para acolher as novas
posturas de enfrentamento, negação ou resistência, e se preciso for, modificar
a conduta em sessão, ou a direção do processo terapêutico. Fazer as adaptações necessárias.
Tanto os amigos do sujeito, como o marido que é questionado
pela esposa em terapia, podem sentir-se preteridos nestas mudanças, (a esposa
pode chegar à conclusão por si, de que separação seria a sua maneira de
desvencilhar-se do marido e casamento, por exemplo), a uma modificação pessoal
a que não estão esperando, e irão refrear e trazer ao status quo.
Essa situação é delicada, visto que são seus laços afetivos,
mas o tratamento terapêutico diz respeito ao psicólogo e ao sujeito em análise. Portanto ,
haverão mudanças desde as mais sutis até as visíveis a todos.
O que é importante ressaltar aqui, é o caráter ético das
relações, tanto do psicólogo-sujeito, como sujeito e suas relações em rede, no
bem estar psíquico em visão macro e a longo prazo. Considerando a delicadeza e
complexidade dessas relações, mas sem perder o foco de algumas (ou várias),
modificações de comportamento e isso se expande em diversas camadas com outras
pessoas.
Relações são modificadas porque o próprio sujeito se permite
modificar a si, juntamente com as palavras em discurso.
Obs:As palavras em discurso terapêutico, já são consideradas
ações para o terapeuta, quando ouvidas e proferidas pelo sujeito, e espelhadas
pelo psicólogo. Palavra é internalização e ação, em ato contínuo.
Obs2. A escuta sensível. Ouvir e desenvolver o discurso com
sua intervenção de modo a ressaltar a posição do outro em relação a si mesmo, e
seu autoquestionamento.
Ouvir, não apenas o que ele diz, mas principalmente àquilo
que ele cala. Que não dirá com palavras. Exercitar a atenção e escuta
silenciosa.
(...cont.)
(...cont.)
Partes de anotações feitas em 2013, de abril a setembro referentes à pesquisa de intervenção sensível.

Ótimo texto, adorei. Isso me ajuda muito nos meus estudos de psico <3
ResponderExcluirAliás todo teu blog é um lugar que dá vontade de mergulhar nas leituras o tempo todo! haha Continue a escrever (: